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Vale tudo para nos manter no Facebook? New York Times revela estratégias da empresa

Vale tudo para nos manter no Facebook? New York Times revela estratégias da empresa

O Facebook tem novamente muito para explicar. Um resumo de tudo o que o New York Times revelou sobre a empresa com mais de 2,27 mil milhões de utilizadores.

O ano que arrancou com o escândalo da Cambridge Analytica e que, entre episódios de notícias falsas, interferência política e violência, teve também uma gigante falha de segurança não parece ter sinais de melhorar para o Facebook. O New York Times publicou na semana passada uma extensa reportagem mostrando que para a empresa de Mark Zuckerberg tudo parece valer para safar o próprio ‘umbigo’: desde pressões nos bastidores da política norte-americana a ataques de desinformação para descredibilizar todos os que se metem no seu caminho (sim, o Facebook também andou alegadamente a produzir as suas próprias notícias falsas).

A peça do New York Times (NYT) é extensa e detalhada, revelando vários pontos interessantes que completam o quadro que a Wired começou a pintar no início deste ano. Um quadro negro, bastante negro, sobre os três anos mais recentes do Facebook, em que Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, os número 1 e 2, respectivamente, passaram o tempo “distraídos por projectos pessoais” e delegaram decisões importantes aos seus subordinados – conforme escreve o jornal. Em resumo, o NYT:

  • revela que o Facebook espalhou desinformação sobre quem o criticava, tentando em parte associar essas vozes a George Soros;
  • detalha como a empresa de Mark Zuckerberg jogou à esquerda e à direita da política norte-americana para evitar a todo o custo qualquer tipo de regulação, e fez lobby junto de congressistas e reguladores norte-americanos para condicionar as suas perguntas e acções;
  • descreve a figura de Sheryl Sandberg, uma senhora com influência política, capaz de “mexer os cordelinhos certos” nos bastidores da empresa;
  • mostra que o Facebook desvalorizou a interferência russa na sua plataforma, tendo propositadamente facultado menos informação ao público e internamente do que aquela que sabia.

A investigação do New York Time teve como base “entrevistas com mais de 50 pessoas”, incluindo a “actuais e antigos executivos e outros funcionários do Facebook, legisladores e oficiais governamentais, lobbyistas e membros do Congresso”. “Muitos deles falaram na condição de anonimato porque assinaram acordos confidenciais, não estão autorizados a falar com jornalistas ou tinham medo de retaliação”, escreve o jornal. A peça foi publicada na quarta-feira, 14 de Novembro; na sexta, num encontro via videoconferência com equipas do Facebook das várias partes do mundo, Mark Zuckerberg terá dito que a empresa não hesitaria em despedir os funcionários que falaram com o NYT ou com outras publicações. Contudo, depois de um funcionário lhe ter perguntado se a empresa faria um relatório sobre quantos leakers no Facebook foram despedidos, Zuckerberg terá minimizado a ideia.

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