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Japão investe 845 milhões no criação de tecnologias para ciborgues e agricultura

Japão investe 845 milhões no criação de tecnologias para ciborgues e agricultura

A aposta alarga-se ao desenvolvimento de várias áreas científicas para lá da robótica, nomeadamente, automatização do setor agrícola e procura de soluções ambientais

O governo japonês quer investir 100 mil milhões de yens, o equivalente a 845 milhões de euros, no desenvolvimento de tecnologia na área da robótica para fins de melhoramento das capacidades humanas.

De acordo com a Nikkei Asian Review, investigadores japoneses e internacionais vão ser convidados a submeter propostas em 25 áreas diferentes, que vão desde a robótica a soluções ambientais para combater a poluição industrial.

Uma fonte anônima do governo nipôico contou à mesma publicação que o acordo tem uma duração de dez anos e que serão postos de parte 100 mil milhões de yen para serem aplicados nos projetos durante os primeiros cinco anos.

Esta aposta no desenvolvimento científico surge numa altura que o Japão atravessa uma crise em várias frentes, por exemplo, no envelhecimento demográfico, a nível da poluição dos oceanos e na taxa de natalidade, que no futuro pode ter um forte impacto na massa laboral do país.

Nikkei Asian Review conta que a investigação procura encontrar «uma tecnologia que substitua funções corporais humanas através de robótica até 2050» e desenvolver novas técnicas na área da hibernação artificial, que tem como inspiração o processo de hibernação animal e que pretendem aumentar a longevidade dos corpos.

A publicação afirma que o governo japonês tem também como objetivo desenvolver processos de automatização que possam ser aplicados à agricultura, construção, pesca e ter alternativas para o tratamento e reciclagem de resíduos industriais.

 

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Sentient: Militares americanos construíram secretamente um “cérebro artificial”

Sentient: Militares americanos construíram secretamente um “cérebro artificial”

Segundo informações agora reveladas, os militares dos Estados Unidos criaram secretamente um “cérebro artificial”. Ou seja, desde 2010 que as agências de inteligência norte-americanas têm vindo a desenvolver um sistema secreto de inteligência artificial ao qual deram o nome de “Sentient“.

Os novos documentos confidenciais e classificados divulgados descrevem o que é o Sentient Program do National Reconnaissance Office (NRO).

Sentient Program ao serviço dos militares dos EUA

Sentient é um sistema de inteligência totalmente integrado que pode coordenar as posições dos satélites. Além disso, este cérebro tem também a possibilidade de gerir operações no campo de batalha. Contudo, estas são apenas pistas que levarão a outros cenários mais abrangentes ainda por descobrir. Atualmente os detalhes sobre o Programa Senciente ainda são poucos e ambíguos.

Após alguns indícios passarem para o domínio público, funcionários do governo foram questionados sobre o programa. Apesar da curiosidade, o resultado traduziu-se em respostas  mínimas e sem pormenor.

A prática padrão da NRO e da Comunidade de Inteligência é NÃO divulgar fontes e métodos sensíveis, já que tal divulgação introduz alto risco de que nações adversárias os combatam. Tal perda prejudica a nossa nação e os seus aliados; diminui a vantagem da informação dos EUA e a segurança nacional. Por estas razões, os detalhes sobre o Sentient permanecem confidenciais e o que podemos dizer sobre ele é limitado.

Explicou Karen Furgerson, diretora adjunta de assuntos públicos da NRO, num e-mail ao The Verge.

Será só para sentir?

A palavra Sentient, traduzida no português senciente ou sensível, significa aquele que sente, que tem sensações ou impressões. No entanto, na base do que os Estados Unidos podem estar a preparar, este projeto para um cérebro de inteligência artificial pode ser mais do que sentir.

O Sentient cataloga padrões normais, deteta anomalias e ajuda a prever e modelar os potenciais cursos de ação dos adversários. Estamos perante uma máquina de guerra pensante e autónoma?

Pese o facto do NRO não ter fornecido exemplos de padrões ou anomalias, pode-se imaginar que coisas como “não disparar um míssil” versus “disparar um míssil” estarão na lista. Com estas previsões em mãos, o Sentient poderia virar os sensores dos satélites para o lugar certo, no momento certo. Assim, pelas palavras, parcas, agora lidas das entidades, o “Sentient é um sistema de pensamento”.

   

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MIT desenvolve robô que identifica objetos pelo tacto e pela visão

MIT desenvolve robô que identifica objetos pelo tacto e pela visão

Os robôs vão dominar o mundo? É bem provável que estejamos a preparar tudo nesse sentido.

A mais recente criação do MIT começa a entrar num mundo de robôs ainda mais humanizados. Robôs capazes de identificar objetos pelo toque e pela imagem, ou seja, pelo “tacto” e pela “visão”.

Os 5 sentidos – dos humanos para os robôs

Humanizar os robôs parece ser a premissa de muitos investigadores da área da Inteligência Artificial. É certo que estes avanços poderão trazer às pessoas melhorias incríveis, dependendo da sua aplicabilidade.

Para qualquer um de nós, o toque ou a visão permite-nos identificar objetos. Mas para as máquinas este ainda é um desafio enorme, contudo, foi dado um passo importante neste sentido.

Um robô do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial (CSAIL) do MIT está a ser desenvolvido com esse objetivo.

Para alcançar tal objetivo, os investigadores adicionaram um sensor táctil GelSight a um braço robótico KUKA. Este sensor foi “ensinado” através de Inteligência Artificial (AI) a aprender sobre informação visual e táctil.

Mais de 200 objetos

Para a identificação de objetos através do toque, a equipa registou mais 12000 vídeos de 200 objetos a serem tocados. Entre eles, tecidos, ferramentas e outros objetos domésticos. Depois estas imagens de vídeo foram divididas em imagens estáticas de forma a que a AI fosse capaz de ligar os dados entre o toque o a componente visual.

Ao olhar para a cena, o nosso modelo pode imaginar a sensação de tocar uma superfície plana ou uma borda afiada. Por tocar cegamente ao redor, o nosso modelo pode prever a interação com o ambiente puramente através de sentimentos táteis. Reunir esses dois sentidos poderia capacitar o robô e reduzir os dados que podemos precisar para tarefas que envolvem manipular e agarrar objetos.

Refere Yunzhu Li, estudante de doutoramento da CSAIL e o principal autor de um novo artigo sobre o sistema desenvolvido.

Por enquanto, o robô só pode identificar objetos em ambiente controlado. O próximo passo é construir um conjunto de dados maior para que o robô possa trabalhar em configurações mais diversas.

Métodos como este têm potencial para serem muito úteis para a robótica, onde é necessário responder a perguntas como “este objeto é duro ou mole?”, Ou “se eu levantar esta caneca pela alça, quão forte terá que ser o meu aperto? Esse é um problema muito desafiador, já que os sinais são muito diferentes e este modelo demonstrou já grande capacidade.

Refere Andrew Owens, investigador de pós-doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley, envolvido também no projeto.

Os desafios estão aí e as soluções parecem cada vez mais viáveis. Vamos aguardar pelo que o futuro nos reserva.

   

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Laboratório do INESC TEC para Indústria 4.0 já tem 12 robots para experimentação de tecnologias avançadas

Laboratório do INESC TEC para Indústria 4.0 já tem 12 robots para experimentação de tecnologias avançadas

O iiLab – Industry and Innovation Lab representa um investimento superior a um milhão de euros e é inaugurado hoje.

O  novo laboratório do INESC TEC dedicado às Tecnologias Avançadas de Produção, em particular da Indústria 4.0., e está já equipado com 12 robot, será um espaço de experimentação de tecnologias avançadas especialmente dedicado às empresas industriais que utilizam e desenvolvem tecnologias avançadas de produção.

A inauguração decorre a par do 3° Demonstrador Tecnológico promovido pela Agência Nacional de Inovação dedicado ao tema das Tecnologias de Produção e Sistemas Ciber-físicos, e conta com o secretário de Estado da Economia, João Neves.

O iiLab – Industry and Innovation Lab, epresenta um investimento superior a um milhão de euros provenientes de projetos nacionais com financiamento ao abrigo do programa Portugal 2020 – cerca de 700 mil euros -, projetos de financiamento europeu – aproximadamente 300 mil euros – e prestações de serviço a empresas – cerca de 300 mil euros.

Na semana passada António Paulo Moreira, coordenador do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes do INESC TEC, explicou em entrevista à Lusa que o novo laboratório, intitulado ‘Industry and Innovation Lab’ (iiLab), visa a “adaptação” das tecnologias “avançadas de produção” desenvolvidas pelo INESC TEC aos “casos reais” do tecido empresarial.

“O objetivo é colocar as tecnologias e inovações do INESC TEC num espaço mais semelhante às instalações industriais e transferi-las para o mundo real, de modo a que os empresários as vejam, tirem ideias e possam experimentar soluções sem terem de parar a linha de montagem das próprias empresas”, sublinhou.

O iiLab tem também uma componente de formação que é relevante nesta área.

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Ideas, ou como o Word vai usar Inteligência Artificial para sugerir correções ao que escrevemos

Ideas, ou como o Word vai usar Inteligência Artificial para sugerir correções ao que escrevemos

A Microsoft prepara-se para reforçar o uso de soluções de Inteligência Artificial no seu software de produtividade. O Word, por exemplo, vai receber o Ideas que consegue sugerir alterações de texto, fazer resumos e muito mais.

O corretor ortográfico do Microsoft Word vai tornar-se muito mais poderoso. Para fazer frente à Google, com o Docs, e ao Grammarly, a Microsoft prepara-se para integrar várias funcionalidades de Inteligência Artificial no processador de texto. O Word vai receber o Ideas, algo que já existe na versão online, e que deteta erros ou gralhas, sugere alterações de frases para aumentar a concisão e claridade.

Para os leitores, o Ideas vai servir para estimar tempos de leitura para os documentos, identificar os pontos chave de cada texto ou até explicar os acrônimos usados, noticia o Engadget. Os utilizadores mais preguiçosos vão poder usar uma funcionalidade que resume de forma eficaz todo o conteúdo.

Estima-se que estas funcionalidades apareçam na versão preview já em junho e que depois surjam na versão final do Word para todos os utilizadores no outono. Não se conhecem ainda os idiomas que o Ideas vai suportar de raiz.

SOS GUINCHOS

 

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7 “mandamentos” para uma Inteligência Artificial mais ética

7 “mandamentos” para uma Inteligência Artificial mais ética

A lista de requisitos resulta da análise da comissão que definiu as orientações para a ética na inteligência artificial e põe a decisão humana no centro.

A Europa quer liderar na área da robótica e da inteligência artificial, mas quer também diferenciar-se pela ética. Isso ficou bem patente nas decisões tomadas no ano passado e na definição da estratégia europeia para a Inteligência Artificial, assim como na criação de um grupo de especialistas de alto nível que integra 52 cientistas e engenheiros da Academia, Indústria e Sociedade Civil.

O primeiro draft de orientações para a ética foi apresentado em dezembro mas hoje o grupo apresentou uma lista de sete requisitos para que os sistemas de inteligência artificial sejam de confiança. Suporte e fiscalização humana, robustez técnica e segurança, privacidade e governação de dados, transparência, diversidade, não discriminação e justiça, bem-estar social e ambiental e prestação de contas são os tópicos definidos.

As diretrizes apresentam uma lista de avaliação que oferece orientação sobre a implementação prática de cada um dos requisito. Esta lista de avaliação será submetida a um teste piloto, no qual todos os interessados ​​poderão participar, a fim de recolher indicações para sua melhoria. Foi ainda criado um fórum para troca de melhores práticas para a implementação da IA Ética.

A Europa defende que a AI é vista como um instrumento que funciona a serviço da humanidade e do bem público, promovendo o bem-estar humano individual e coletivo, mas que só com uma tecnologia fiável, baseada em princípios éticos, é possível ganhar a confiança dos utilizadores.

SOS GUINCHOS

 

 

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Inteligência artificial promete revolucionar previsões na saúde pública

Inteligência artificial promete revolucionar previsões na saúde pública

Cientistas britânicos desenvolveram um algoritmo que supera peritos humanos na antecipação da mortalidade em quadros clínicos complexos.

Imagine-se o que seria uma máquina com inteligência artificial capaz de fazer diagnósticos sobre doenças crónicas com maior eficácia do que um perito humano. Esta invenção teria potencial para revolucionar a saúde pública, permitindo o acesso de toda a gente a cuidados de alta qualidade. É só imaginação? Na realidade, nem tudo.

Este é um sector da ciência que está a mudar muito depressa. Uma equipa de cientistas britânicos conseguiu desenvolver um algoritmo com capacidade de aprendizagem capaz de fazer previsões sobre os riscos de saúde de populações. Nas previsões sobre a evolução de doentes crónicos, o sistema teve um comportamento superior ao humano. O estudo foi publicado em PLOS One e tem potencial para alterar a abordagem da medicina na saúde preventiva.

Usando novas técnicas por computador, os médicos poderão avaliar maior número de factores em situações de alta complexidade, por exemplo, quando estão em acção diferentes doenças ou impactos ambientais. A equipa, liderada pelo epidemiologista Stephen Weng, usou dados reais de saúde pública de meio milhão de pessoas entre 40 e 69 anos. Esta população tinha sido seguida por médicos, a partir de um período entre 2006 e 2010, e até 2016, no âmbito de um programa denominado UK Biobank.

Com os dados reais da mortalidade, foi possível comparar a qualidade das previsões da inteligência artificial com o modelo utilizado habitualmente (regressão Cox), e o facto é que a nova técnica foi mais precisa. Os cientistas, apesar de tudo, continuam cautelosos. Os algoritmos permitem melhorar as previsões sobre a evolução dos quadros clínicos, mas não serão práticos em todos os casos.

Será necessário manter a afinação constante dos modelos e desenvolver estas novas técnicas de forma transparente. Na situação agora estudada estavam em causa pessoas que tinham várias doenças em simultâneo, mas os britânicos já tinham publicado estudos onde se demonstrava a utilidade da tecnologia de inteligência artificial na prevenção de doença cardíaca. A validação destas novas técnicas poderá levar anos.

SOS GUINCHOS

 

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Sonae IM continua de olho na inteligência artificial. Investe na CB4

Sonae IM continua de olho na inteligência artificial. Investe na CB4

A tecnológica CB4 fechou uma ronda de financiamento de 16 milhões de dólares, que contou com a participação da Sonae IM. A empresa utiliza algoritmos para melhorar a experiência em loja.

A Sonae IM continua a aposta nas empresas tecnológicas. Desta vez, a escolhida foi a CB4, uma tecnológica que se especializou no desenvolvimento de software de inteligência artificial para identificar a procura local de produtos específicos. O valor total angariado pela CB4 na ronda de financiamento, que foi liderada pela Octopus Ventures, foi de 16 milhões de dólares.

As empresas dedicadas a algoritmos e outras tecnologias ligadas à inteligência artificial têm chamado a atenção do ramo de investimento da Sonae. Já em fevereiro deste ano, a Sonae IM investiu na ViSenze, uma startup tecnológica de Singapura que alia a inteligência artificial ao poder da imagem para potenciar o comércio.

“A CB4 tem uma equipa de topo, que desenvolveu uma tecnologia baseada em IA para apoiar retalhistas físicos a endereçar ineficiências operacionais, com impacto direto e mensurável em receitas”, diz Eduardo Piedade, CEO da Sonae IM, citado em comunicado. Para além da Sonae, que não revelou o montante investido, também a Sequoia Capital e a Pereg Ventures participaram na ronda.

A CB4 tem nos planos continuar a rota de expansão. “Temos observado um crescimento extraordinário nos últimos anos, e temos visto alguns dos maiores retalhistas adotar com sucesso o nosso software para melhorar a sua execução em loja”, aponta Yoni Benshaul, CEO da CB4. “Estamos empenhados nestas parcerias e vamos continuar a desenvolvê-las à medida que expandimos a nossa oferta de serviços e base de clientes”, acrescenta.

SOS GUINCHOS

 

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Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Elon Musk é o principal rosto de muita de tecnologia revolucionária que está a surgir no mundo. Um visionário para muitos, um louco para tantos outros. A Inteligência Artificial é uma das áreas onde tem vindo a investir e uma das empresas relacionadas é a OpenAI.

Agora, investigadores da OpenAI e criadores de um sistema revolucionário de Inteligência Artificial capaz de escrever reportagens e trabalhos de ficção – apelidados de “deepfakes for text” – deram o passo incomum. As suas pesquisas relacionadas com este trabalho não serão divulgadas por medo de um possível uso indevido.

A OpenAI financiada por Elon Musk

OpenAI é uma instituição sem fins lucrativos de investigação na área da Inteligência Artificial (IA), associada ao magnata Elon Musk. Esta empresa tem como objetivo promover e desenvolver IA amigável, de forma a beneficiar a humanidade como um todo.

A organização tem como ambição abraçar a colaboração livre com outras instituições e investigadores. Para tal, torna as suas patentes de investigação abertas ao público.

Deepfakes for text – A AI que assusta os próprios criadores

Uma das investigações levadas a cabo pela OpenAI é de tal forma bem feita que está a assustar os próprios criadores. Segundo se pode ler no site da OpenAI, a empresa tem desenvolvido um modelo de Inteligência Artificial, apelidado de GPT-2 (sucessor do GPT). O GPT-2 é capaz de escrever texto prevendo as próximas analisando 40 GB de texto existente na Internet.

No entanto, há um risco de utilização indevido enorme, dada a potencialidade do sistema. Como tal, não será divulgado ao público em geral. A empresa está, contudo, a divulgar um modelo mais limitado para que os investigadores o possam testar.

GPT-2 a ultrapassar os limites esperados

É importante salientar que, segundo afirma a empresa, o modelo de escrita GPT-2, baseado em Inteligência Artificial está a ir mais longe do que os investigadores esperavam inicialmente. Está a ultrapassar limites.

Quando usado para simplesmente gerar um novo texto, o GPT2 é capaz de escrever passagens plausíveis que correspondam ao que é dado em estilo e assunto. Além disso, raramente o sistema demonstrou particularidades comuns de outros sistemas do género já em desenvolvimento. Isto é, esquecer o que está a ser escrito no meio de um parágrafo ou desconfigurar a sintaxe de frases longas.

Em ação

O The Guardian apresenta um pequeno vídeo no seu site onde é visível a Inteligência Artificial do GPT-2 em ação. No vídeo seguinte, consegue ver-se uma notícia convincente escrita pelo sistema.

Bastou dar o mote do tema que as palavras começaram a ser “debitadas” com citações e menções muito realistas.

O sistema foi de tal forma bem “ensinado” que a forma como escreve vai além daquilo que os investigadores pretendiam. De referir que os vários sistemas de AI criados especificamente para escrever notícias/textos, não o conseguem ainda fazer de uma forma tão inteligente e eficaz. Daí as preocupações levantadas pelos seus criadores.

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Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Apesar de o título poder criar essa primeira imagem mental, comecemos por esclarecer que ainda não é desta que falamos de robôs treinados para lutar contra os seus criadores – ou alguma outra coisa que abra a caixa de pandora da interação física entre sistemas de inteligência artificial e humanos. É no software que está o perigo e este exemplo serve perfeitamente para nos lembrar do que podemos enfrentar daqui para a frente numa série de campos, das notícias à ficção.

O sistema chamado GPT2 foi criado por uma empresa sem fins lucrativos, chamada OpenAI, apoiada por nomes como Elon Musk ou Reid Hoffman, co-fundador do Linkedin e trata-se de um simples gerador de texto como tantos outros, mas com uma capacidade nunca antes vista. O GPT2 consegue criar texto com uma elevada verosimilhança e sem cair nos erros dos sistemas apresentados até agora, como esquecer-se do texto a meio ou entrar em loops repetitivos. Em sentido contrário, o sistema consegue dar continuidade a um bloco de texto sem que se detecte imediatamente onde parou o homem e onde começou a máquina, criando os chamados “deep fakes”, desta feita em texto — e por agora apenas em inglês.

Na base de todo este potencial do sistema, os seus criadores dizem estar a forma como ele foi criado. O modelo é 12 vezes maior que o normal e foi treinado em 15x mais dados do que o normal, concentrado mais informação no seu sistema. Para o efeito, os investigadores recorreram a 10 mil artigos noticiosos partilhados no Reddit e com mais de 3 votos positivos, algo que perfez um total de 40 GB de informação em texto — como nota o The Guardian, o equivalente a 35 mil cópias do Moby Dick.

Se por um lado nada disto parece perigoso, os seus criadores acharam por bem não tornar totalmente pública a sua investigação e explicaram os motivos. Por ser treinada em conteúdo da web, temem que este sistema seja pródigo a criar spam e/ou teorias da conspiração com pequenas alterações, e que possa vir a ser uma potente arma na guerra de informação e desinformação que atualmente vivemos, atravessando fronteiras e eleições.

A decisão da equipe de investigação foi, por isso, manter o projeto internamente e continuar a investigar sobre ele tentando perceber como minimizar os usos maliciosos. Como Jack Clark, responsável pelas políticas da empresa disse em entrevista ao The Guardian, “há muito mais gente que nós que são melhores a pensar usos maliciosos”.

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