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7 “mandamentos” para uma Inteligência Artificial mais ética

7 “mandamentos” para uma Inteligência Artificial mais ética

A lista de requisitos resulta da análise da comissão que definiu as orientações para a ética na inteligência artificial e põe a decisão humana no centro.

A Europa quer liderar na área da robótica e da inteligência artificial, mas quer também diferenciar-se pela ética. Isso ficou bem patente nas decisões tomadas no ano passado e na definição da estratégia europeia para a Inteligência Artificial, assim como na criação de um grupo de especialistas de alto nível que integra 52 cientistas e engenheiros da Academia, Indústria e Sociedade Civil.

O primeiro draft de orientações para a ética foi apresentado em dezembro mas hoje o grupo apresentou uma lista de sete requisitos para que os sistemas de inteligência artificial sejam de confiança. Suporte e fiscalização humana, robustez técnica e segurança, privacidade e governação de dados, transparência, diversidade, não discriminação e justiça, bem-estar social e ambiental e prestação de contas são os tópicos definidos.

As diretrizes apresentam uma lista de avaliação que oferece orientação sobre a implementação prática de cada um dos requisito. Esta lista de avaliação será submetida a um teste piloto, no qual todos os interessados ​​poderão participar, a fim de recolher indicações para sua melhoria. Foi ainda criado um fórum para troca de melhores práticas para a implementação da IA Ética.

A Europa defende que a AI é vista como um instrumento que funciona a serviço da humanidade e do bem público, promovendo o bem-estar humano individual e coletivo, mas que só com uma tecnologia fiável, baseada em princípios éticos, é possível ganhar a confiança dos utilizadores.

SOS GUINCHOS

 

 

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Inteligência artificial promete revolucionar previsões na saúde pública

Inteligência artificial promete revolucionar previsões na saúde pública

Cientistas britânicos desenvolveram um algoritmo que supera peritos humanos na antecipação da mortalidade em quadros clínicos complexos.

Imagine-se o que seria uma máquina com inteligência artificial capaz de fazer diagnósticos sobre doenças crónicas com maior eficácia do que um perito humano. Esta invenção teria potencial para revolucionar a saúde pública, permitindo o acesso de toda a gente a cuidados de alta qualidade. É só imaginação? Na realidade, nem tudo.

Este é um sector da ciência que está a mudar muito depressa. Uma equipa de cientistas britânicos conseguiu desenvolver um algoritmo com capacidade de aprendizagem capaz de fazer previsões sobre os riscos de saúde de populações. Nas previsões sobre a evolução de doentes crónicos, o sistema teve um comportamento superior ao humano. O estudo foi publicado em PLOS One e tem potencial para alterar a abordagem da medicina na saúde preventiva.

Usando novas técnicas por computador, os médicos poderão avaliar maior número de factores em situações de alta complexidade, por exemplo, quando estão em acção diferentes doenças ou impactos ambientais. A equipa, liderada pelo epidemiologista Stephen Weng, usou dados reais de saúde pública de meio milhão de pessoas entre 40 e 69 anos. Esta população tinha sido seguida por médicos, a partir de um período entre 2006 e 2010, e até 2016, no âmbito de um programa denominado UK Biobank.

Com os dados reais da mortalidade, foi possível comparar a qualidade das previsões da inteligência artificial com o modelo utilizado habitualmente (regressão Cox), e o facto é que a nova técnica foi mais precisa. Os cientistas, apesar de tudo, continuam cautelosos. Os algoritmos permitem melhorar as previsões sobre a evolução dos quadros clínicos, mas não serão práticos em todos os casos.

Será necessário manter a afinação constante dos modelos e desenvolver estas novas técnicas de forma transparente. Na situação agora estudada estavam em causa pessoas que tinham várias doenças em simultâneo, mas os britânicos já tinham publicado estudos onde se demonstrava a utilidade da tecnologia de inteligência artificial na prevenção de doença cardíaca. A validação destas novas técnicas poderá levar anos.

SOS GUINCHOS

 

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Sonae IM continua de olho na inteligência artificial. Investe na CB4

Sonae IM continua de olho na inteligência artificial. Investe na CB4

A tecnológica CB4 fechou uma ronda de financiamento de 16 milhões de dólares, que contou com a participação da Sonae IM. A empresa utiliza algoritmos para melhorar a experiência em loja.

A Sonae IM continua a aposta nas empresas tecnológicas. Desta vez, a escolhida foi a CB4, uma tecnológica que se especializou no desenvolvimento de software de inteligência artificial para identificar a procura local de produtos específicos. O valor total angariado pela CB4 na ronda de financiamento, que foi liderada pela Octopus Ventures, foi de 16 milhões de dólares.

As empresas dedicadas a algoritmos e outras tecnologias ligadas à inteligência artificial têm chamado a atenção do ramo de investimento da Sonae. Já em fevereiro deste ano, a Sonae IM investiu na ViSenze, uma startup tecnológica de Singapura que alia a inteligência artificial ao poder da imagem para potenciar o comércio.

“A CB4 tem uma equipa de topo, que desenvolveu uma tecnologia baseada em IA para apoiar retalhistas físicos a endereçar ineficiências operacionais, com impacto direto e mensurável em receitas”, diz Eduardo Piedade, CEO da Sonae IM, citado em comunicado. Para além da Sonae, que não revelou o montante investido, também a Sequoia Capital e a Pereg Ventures participaram na ronda.

A CB4 tem nos planos continuar a rota de expansão. “Temos observado um crescimento extraordinário nos últimos anos, e temos visto alguns dos maiores retalhistas adotar com sucesso o nosso software para melhorar a sua execução em loja”, aponta Yoni Benshaul, CEO da CB4. “Estamos empenhados nestas parcerias e vamos continuar a desenvolvê-las à medida que expandimos a nossa oferta de serviços e base de clientes”, acrescenta.

SOS GUINCHOS

 

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Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Elon Musk é o principal rosto de muita de tecnologia revolucionária que está a surgir no mundo. Um visionário para muitos, um louco para tantos outros. A Inteligência Artificial é uma das áreas onde tem vindo a investir e uma das empresas relacionadas é a OpenAI.

Agora, investigadores da OpenAI e criadores de um sistema revolucionário de Inteligência Artificial capaz de escrever reportagens e trabalhos de ficção – apelidados de “deepfakes for text” – deram o passo incomum. As suas pesquisas relacionadas com este trabalho não serão divulgadas por medo de um possível uso indevido.

A OpenAI financiada por Elon Musk

OpenAI é uma instituição sem fins lucrativos de investigação na área da Inteligência Artificial (IA), associada ao magnata Elon Musk. Esta empresa tem como objetivo promover e desenvolver IA amigável, de forma a beneficiar a humanidade como um todo.

A organização tem como ambição abraçar a colaboração livre com outras instituições e investigadores. Para tal, torna as suas patentes de investigação abertas ao público.

Deepfakes for text – A AI que assusta os próprios criadores

Uma das investigações levadas a cabo pela OpenAI é de tal forma bem feita que está a assustar os próprios criadores. Segundo se pode ler no site da OpenAI, a empresa tem desenvolvido um modelo de Inteligência Artificial, apelidado de GPT-2 (sucessor do GPT). O GPT-2 é capaz de escrever texto prevendo as próximas analisando 40 GB de texto existente na Internet.

No entanto, há um risco de utilização indevido enorme, dada a potencialidade do sistema. Como tal, não será divulgado ao público em geral. A empresa está, contudo, a divulgar um modelo mais limitado para que os investigadores o possam testar.

GPT-2 a ultrapassar os limites esperados

É importante salientar que, segundo afirma a empresa, o modelo de escrita GPT-2, baseado em Inteligência Artificial está a ir mais longe do que os investigadores esperavam inicialmente. Está a ultrapassar limites.

Quando usado para simplesmente gerar um novo texto, o GPT2 é capaz de escrever passagens plausíveis que correspondam ao que é dado em estilo e assunto. Além disso, raramente o sistema demonstrou particularidades comuns de outros sistemas do género já em desenvolvimento. Isto é, esquecer o que está a ser escrito no meio de um parágrafo ou desconfigurar a sintaxe de frases longas.

Em ação

O The Guardian apresenta um pequeno vídeo no seu site onde é visível a Inteligência Artificial do GPT-2 em ação. No vídeo seguinte, consegue ver-se uma notícia convincente escrita pelo sistema.

Bastou dar o mote do tema que as palavras começaram a ser “debitadas” com citações e menções muito realistas.

O sistema foi de tal forma bem “ensinado” que a forma como escreve vai além daquilo que os investigadores pretendiam. De referir que os vários sistemas de AI criados especificamente para escrever notícias/textos, não o conseguem ainda fazer de uma forma tão inteligente e eficaz. Daí as preocupações levantadas pelos seus criadores.

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Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Apesar de o título poder criar essa primeira imagem mental, comecemos por esclarecer que ainda não é desta que falamos de robôs treinados para lutar contra os seus criadores – ou alguma outra coisa que abra a caixa de pandora da interação física entre sistemas de inteligência artificial e humanos. É no software que está o perigo e este exemplo serve perfeitamente para nos lembrar do que podemos enfrentar daqui para a frente numa série de campos, das notícias à ficção.

O sistema chamado GPT2 foi criado por uma empresa sem fins lucrativos, chamada OpenAI, apoiada por nomes como Elon Musk ou Reid Hoffman, co-fundador do Linkedin e trata-se de um simples gerador de texto como tantos outros, mas com uma capacidade nunca antes vista. O GPT2 consegue criar texto com uma elevada verosimilhança e sem cair nos erros dos sistemas apresentados até agora, como esquecer-se do texto a meio ou entrar em loops repetitivos. Em sentido contrário, o sistema consegue dar continuidade a um bloco de texto sem que se detecte imediatamente onde parou o homem e onde começou a máquina, criando os chamados “deep fakes”, desta feita em texto — e por agora apenas em inglês.

Na base de todo este potencial do sistema, os seus criadores dizem estar a forma como ele foi criado. O modelo é 12 vezes maior que o normal e foi treinado em 15x mais dados do que o normal, concentrado mais informação no seu sistema. Para o efeito, os investigadores recorreram a 10 mil artigos noticiosos partilhados no Reddit e com mais de 3 votos positivos, algo que perfez um total de 40 GB de informação em texto — como nota o The Guardian, o equivalente a 35 mil cópias do Moby Dick.

Se por um lado nada disto parece perigoso, os seus criadores acharam por bem não tornar totalmente pública a sua investigação e explicaram os motivos. Por ser treinada em conteúdo da web, temem que este sistema seja pródigo a criar spam e/ou teorias da conspiração com pequenas alterações, e que possa vir a ser uma potente arma na guerra de informação e desinformação que atualmente vivemos, atravessando fronteiras e eleições.

A decisão da equipe de investigação foi, por isso, manter o projeto internamente e continuar a investigar sobre ele tentando perceber como minimizar os usos maliciosos. Como Jack Clark, responsável pelas políticas da empresa disse em entrevista ao The Guardian, “há muito mais gente que nós que são melhores a pensar usos maliciosos”.

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iRobot Roomba i7+: o mais avançado robô doméstico

iRobot Roomba i7+: o mais avançado robô doméstico

Até despeja o lixo no balde.

Quinze de fevereiro. É esta a data prevista para a iRobot pôr à venda em Portugal o mais inteligente dos Room. Na prática, o mais avançado de todos os robôs aspiradores que o dinheiro pode comprar.

E por falar em dinheiro… também há preços. Já lá vamos.

É um bichinho feito pela iRobot, uma marca pioneira no campo dos robôs domésticos, e olhando para ele, assim à primeira vista, é bem parecido com aqueles que a marca norte-americana lançou em 2002. Mas se o aspeto é o mesmo, já a tecnologia não tem muito a ver. E face aos equipamentos que o antecederam, o que a mais recente geração de robôs-aspiradores traz de novo traduz-se em duas tecnologias.

“Conhece a planta da casa. Entende as ordens”

A primeira tecnologia inovadora é a que permite que o i7 seja capaz de mapear e memorizar a planta de toda a casa, para não ter de passar duas vezes pelo mesmo sítio. E isto inclui vários pisos da mesma habitação. Ou então do apartamento ao lado, se quiser dividir despesas com o vizinho.

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EUA e China lideram a corrida à inteligência artificial

EUA e China lideram a corrida à inteligência artificial

Um estudo da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), revelou que a americana IBM detem o maior portfólio de patentes relacionadas com Inteligência Artificial.

De acordo com um estudo recente da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, uma organização integrante do Sistema das Nações Unidas, a corrida pelo domínio da Inteligência Artificial (IA) tem sido atualmente disputada entre os Estados Unidos da América e a China.

Os dados revelaram que a gigante tecnológica IBM lidera este ranking da propriedade intelectual com 8.290 patentes registadas, encontrando-se à frente da Microsoft, que detém 5,930 patentes.

O estudo revela ainda que na China tem 17 das 20 melhores universidades, numa escala global, que conduzem investigações na área da IA.

À Reuters, Francis Gurry, Diretor Geral da OMPI, disse que: «Os EUA e a China lideram, obviamente, esta corrida. Estão à frente tanto no número de aplicações desenvolvidas, como no número de publicações científicas feitas.»

Numa ótica política, as tensões entre os dois países são também sentidas, uma vez que Donald Trump acusou a China de roubar inovações americanas e aumentou as tarifas comerciais em produtos chineses de forma a castigar o governo chinês.

Embora as opiniões, relativamente à China roubar propriedade intelectual, variem, a OMPI reconheceu as acusações, mas salientou que a China tem inegavelmente tido um papel de charneira no desenvolvimento da Inteligência Artificial.

«A China representa uma peça imprescendível no patenteamento de propriedade intelectual», disse Francis Gurry, em declarações à Reuters.

Esta quinta-feira, Gurry apelou via Twitter à união entre países para o desenvolvimento e cooperação na área da IA:

«O patenteamento de atividades no domínio da Inteligência Artificial está a crescer a um rítmo acelerado.Isto significa que o número de produtos, técnicas e aplicações em que este tipo de tecnologia estará presente será maior e, por sua vez, também a sua presença e influência nas nossas vidas.»

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O futuro da Inteligência Artificial precisa de ser moldado e não temido

O futuro da Inteligência Artificial precisa de ser moldado e não temido

Os algoritmos vêm trazer uma mudança na forma como as organizações gerem a informação, mas continuam a precisar dos humanos para validar e corrigir resultados. E para garantir que são úteis no futuro é essencial garantir transparência e ética.

As ideias ficaram bem patentes nas primeiras sessões da conferência Building The Future, organizada pela Microsoft Portugal em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, onde durante dois dias mais de 100 oradores vão abordar as várias questões do negócio, da tecnologia e da transformação digital, tendências e casos práticos em Portugal e no estrangeiro.

E a inteligência artificial tem um papel relevante na transformação digital? Jim Stolze, da Singularity University, usou o exemplo do Netflix para mostrar como a empresa passou de ser uma companhia de conteúdos que enviava DVDs por correio para colocar tudo digital e depois usar os algoritmos para ser mais inteligente na sugestão de filmes e séries que cada um dos seus clientes queria ver. Este foi o segredo e a evolução, de digital para dados e de dados para informação.

“Muitas empresas são ricas em dados mas pobres em informação”, afirmou, dizendo que isso acontece em grande parte das organizações mas desmistificando o facto de precisarmos de mais dados. “O que precisamos é de melhores dados e de insights”, avisa, apontando vários exemplos de como os algoritmos se enganam, são influenciáveis e dão resultados errados.

Mas isso não deve levar as empresas a desistir de usar a Inteligência Artificial. “Culpar os algoritmos é o mesmo que culparmos o espelho por o cabelo estar mal arranjado”, explica. O que é preciso é usar o machine learning para corrigir os algoritmos e isso já está a ser feito em muitas áreas, como o reconhecimento de imagens com os Captcha, onde as máquinas ainda se baralham com fotos de Muffins e Chiuahuas, entre outros.

“Não devemos temer o futuro com a IA mas devemos moldá-lo”, afirmou, e num gesto simpático para Portugal, Jim Stolze, disse que Portugal tem as pessoas e as competências para aproveitar estas oportunidades, podem não ter as ferramentas mas estas estão disponíveis online. E lembra que a Inteligência Artificial nunca estará finalizada e que precisa de humanos para garantir que está tudo correcto.

Numa visão mais de negócio, Matteo Colombo, da KPMG, mostrou alguns números da forma como as organizações estão a olhar para as oportunidades da AI, reconhecidas por grande parte dos CEOs como essencial para o futuro, isto apesar de uma percentagem muito pequena estar já a tirar partido do seupotencial.

A informação gerada pela AI vai atravessar toda a empresa e não pode ser implementada num silo. Tem de juntar toda a organização, o negócio, os dados, as operações. Mas também é preciso confiança, e 80% das empresas ainda não confiam na tecnologia porque não há controle.

É neste aspecto da ética, transparência e controle que Tim O’ Brien, da Microsoft focou a sua apresentação, mostrando como a AI é influenciável e tem preconceitos, ideias feitas e pode tornar as escolhas muito injustas, como acontece na Austria com um algoritmo que mostra as probabilidades de uma pessoa conseguir emprego com base na idade, género, local onde mora, o tempo que esteve desempregado. “É preciso haver regras e regulação”, defende, mas as oportunidades são grandes e não apenas de transformar o negócio, mas mudar o mundo que vai ter menos doença, menos fome, menos crime. “São oportunidades de transformação mas a responsabilidade é grande e é de toda a indústria”, avisa.

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Quando a IA torna os cibercriminosos mais inteligentes

Quando a IA torna os cibercriminosos mais inteligentes

A Inteligência artificial ainda é exceção nas ferramentas do cibercrime, mas não teremos de esperar muito até que os computadores deixem de fazer parte do clube dos melhores amigos da humanidade, admite Stephen Helm, da WatchGuard Technologies

um facto inquestionável que a inteligência artificial (IA) se está a tornar numa parte cada vez mais intrínseca das nossas vidas e, pese embora o facto de tudo o que este conceito promete ter algo de apaixonante, o seu valor não passou despercebido aos criminosos da nossa sociedade.
Um dos maiores benefícios da IA é a sua capacidade de atuar como um amplificador que ajuda as pessoas a trabalhar com uma grande quantidade de dados complexos e realizar tarefas altamente repetitivas que, normalmente, requereriam a intervenção de um humano. A automatização do que normalmente seria um processo manual permite aos delinquentes, especialmente aos cibercriminosos, melhorar a seleção de alvos, ampliar a escala dos ataques e aumentar a velocidade a que podem criar novo malware. Embora até agora se tenham visto poucos exemplos de ataques que recorrem a IA, os investigadores de segurança estão a trabalhar muito para explorar o que é possível ou não fazer.
Seguem-se alguns exemplos sobre como os atacantes podem utilizar a IA:

▪ Eludir os sistemas CAPTCHA. O CAPTCHA tornou-se numa ferramenta essencial na Internet que permite determinar se a pessoa que visita o nosso site é um humano ou um bot. Os visitantes deparam-se com uma imagem, uma casa de verificação ou uma cadeia de texto distorcido e é-lhes pedido que realizem uma ação que normalmente requereria a intervenção de um ser humano, como a identificação de imagens similares entre si. Através do uso de técnicas de IA, investigadores da Universidade de Columbia conseguiram furar o CAPTCHA do Google 98% das vezes [VER AQUI].

▪ Melhorar a precisão e o alcance do phishing. 76% das organizações foram vítimas de ataques de phishing em 2017 e, em resposta, muitas implementaram rigorosos programas para os seus colaboradores na identificação de tentativas de phishing com o objetivo de prevenir estes ataques. Com a IA, os cibercriminosos dispõem de uma ferramenta que se pode utilizar para analisar grandes volumes de dados dos seus alvos e criar mensagens que garantirão uma maior taxa de êxito. As investigações de segurança da ZeroFox demostraram esta abordagem para apanhar utilizadores do Twitter com SNAP_R (Social Network Automated Phishing with Reconnaissance) [VER AQUI]. A SNAP_R utiliza IA para identificar alvos valiosos e desenvolver rapidamente um perfil desse alvo, com base no que publicaram no passado naquela rede social. Recorrendo a este método, convenceram os alvos a clicar em links maliciosos 30% das vezes (comparado com a taxa de êxito entre 5 a 15% de outros esquemas automatizados).
▪ Desenvolver malware altamente evasivo. Os hackers confiaram durante muito tempo em scripts e kits de ferramentas para desenvolver e distribuir malware, mas à medida que a ciberdefesa se tornou mais inteligente e sofisticada, os nossos adversários passaram a recorrer a técnicas de inteligência artificial de baixo perfil para aumentar a evasão do malware. Os criadores de malware começaram a utilizar a IA para realizar verificações, com o objetivo de identificar as configurações de hardware e o ambiente [VER AQUI] em que se encontram (por exemplo, um ambiente Sandbox versus uma máquina física), assim como para determinar se um humano está a operar a máquina nesse momento. DeepLocker, desenvolvido por investigadores da IBM Research [VER AQUI], demonstra os perigos da inteligência artificial utilizada como uma arma no malware. A IA do DeepLocker está treinada para assegurar que a sua carga útil só seja executada quando atinja um alvo específico, baseando-se em três camadas de ocultação, para evitar que as ferramentas de segurança identifiquem uma ameaça.
Em conclusão e definitivamente, à medida que a corrida às armas da cibersegurança aquece motores, é inquestionável que estamos a aproximar-nos de uma nova etapa em que a IA e a machine learning representarão um papel cada vez mais importante tanto no ataque como na defensa.

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CEO portugueses acreditam que inteligência artificial vai criar mais empregos do que destruir

CEO portugueses acreditam que inteligência artificial vai criar mais empregos do que destruir

O estudo “Global CEO Outlook“, elaborado pela consultora KPMG, concluiu que os CEO portugueses (92% dos inquiridos) estão mais otimistas em relação ao crescimento da economia global do que os seus congéneres mundiais (78%).

O estudo que compara as perspetivas e expectativas dos gestores portugueses com os resultados do survey global (e que envolveu cerca de 1.300 gestores de algumas das principais economias mundiais), revelou que a maioria dos líderes globais (55%) espera um crescimento de menos de 2%, uma percentagem que em Portugal ascende aos 64%.

O ânimo dos CEO é atenuado por incertezas face a ameaças como o terrorismo, alterações climáticas e ambientais, riscos da cibersegurança ou o risco da tecnologia emergente/disruptiva.

A maioria indica estar preparada para liderar uma transformação organizacional radical (71% a nível global e 64% em Portugal). No entanto, entre os portugueses, um terço tem dúvidas quanto à capacidade da sua equipa de gestão coordenar a transformação digital exigida.

Para 49% dos inquiridos a nível global, ser vítima de um ciberataque é hoje uma inevitabilidade: uma questão de “se”, e não de “quando”. Os gestores portugueses estão mais optimistas e 28% concorda com esta visão. Os CEO de todo o mundo preocupam-se com a robustez das suas defesas, mas 51% acreditam estar bem preparados para um ciberataque. Em Portugal, apenas 32% dos líderes se consideram preparados para um ataque com estas características.

Para se tornarem mais ágeis e acelerarem no caminho da inovação digital, as organizações estão a construir redes (ou “ecossistemas”) de inovação: 68% dos líderes inquiridos em Portugal pretendem criar programas de aceleração ou incubadoras para startups. Um valor acima da média global, de 53%.

A Inteligência Artificial (IA) é outro dos temas na ordem do dia, quando se fala de inovação. Para a maioria dos CEO, os avanços ao nível da IA terão implicações positivas ao nível do emprego: 62% acreditam que a IA criará mais empregos do que os que destruirá. Em Portugal, esta visão optimista é ainda mais acentuada (84%).

“Numa era em que a disrupção introduzida, por exemplo, pelos avanços na área da robotização e da análise de dados, nos aproxima de capacidades que não antecipávamos há alguns anos, serão cada vez mais as características individuais dos gestores – as suas experiências e a sua visão – a marcar a diferença”, referiu Sikander Sattar, presidente do conselho de administração da KPMG Portugal.

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