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Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Inteligência Artificial de Elon Musk assusta os próprios criadores

Elon Musk é o principal rosto de muita de tecnologia revolucionária que está a surgir no mundo. Um visionário para muitos, um louco para tantos outros. A Inteligência Artificial é uma das áreas onde tem vindo a investir e uma das empresas relacionadas é a OpenAI.

Agora, investigadores da OpenAI e criadores de um sistema revolucionário de Inteligência Artificial capaz de escrever reportagens e trabalhos de ficção – apelidados de “deepfakes for text” – deram o passo incomum. As suas pesquisas relacionadas com este trabalho não serão divulgadas por medo de um possível uso indevido.

A OpenAI financiada por Elon Musk

OpenAI é uma instituição sem fins lucrativos de investigação na área da Inteligência Artificial (IA), associada ao magnata Elon Musk. Esta empresa tem como objetivo promover e desenvolver IA amigável, de forma a beneficiar a humanidade como um todo.

A organização tem como ambição abraçar a colaboração livre com outras instituições e investigadores. Para tal, torna as suas patentes de investigação abertas ao público.

Deepfakes for text – A AI que assusta os próprios criadores

Uma das investigações levadas a cabo pela OpenAI é de tal forma bem feita que está a assustar os próprios criadores. Segundo se pode ler no site da OpenAI, a empresa tem desenvolvido um modelo de Inteligência Artificial, apelidado de GPT-2 (sucessor do GPT). O GPT-2 é capaz de escrever texto prevendo as próximas analisando 40 GB de texto existente na Internet.

No entanto, há um risco de utilização indevido enorme, dada a potencialidade do sistema. Como tal, não será divulgado ao público em geral. A empresa está, contudo, a divulgar um modelo mais limitado para que os investigadores o possam testar.

GPT-2 a ultrapassar os limites esperados

É importante salientar que, segundo afirma a empresa, o modelo de escrita GPT-2, baseado em Inteligência Artificial está a ir mais longe do que os investigadores esperavam inicialmente. Está a ultrapassar limites.

Quando usado para simplesmente gerar um novo texto, o GPT2 é capaz de escrever passagens plausíveis que correspondam ao que é dado em estilo e assunto. Além disso, raramente o sistema demonstrou particularidades comuns de outros sistemas do género já em desenvolvimento. Isto é, esquecer o que está a ser escrito no meio de um parágrafo ou desconfigurar a sintaxe de frases longas.

Em ação

O The Guardian apresenta um pequeno vídeo no seu site onde é visível a Inteligência Artificial do GPT-2 em ação. No vídeo seguinte, consegue ver-se uma notícia convincente escrita pelo sistema.

Bastou dar o mote do tema que as palavras começaram a ser “debitadas” com citações e menções muito realistas.

O sistema foi de tal forma bem “ensinado” que a forma como escreve vai além daquilo que os investigadores pretendiam. De referir que os vários sistemas de AI criados especificamente para escrever notícias/textos, não o conseguem ainda fazer de uma forma tão inteligente e eficaz. Daí as preocupações levantadas pelos seus criadores.

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Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Gerador de texto com IA assusta os seus criadores que adiam publicação

Apesar de o título poder criar essa primeira imagem mental, comecemos por esclarecer que ainda não é desta que falamos de robôs treinados para lutar contra os seus criadores – ou alguma outra coisa que abra a caixa de pandora da interação física entre sistemas de inteligência artificial e humanos. É no software que está o perigo e este exemplo serve perfeitamente para nos lembrar do que podemos enfrentar daqui para a frente numa série de campos, das notícias à ficção.

O sistema chamado GPT2 foi criado por uma empresa sem fins lucrativos, chamada OpenAI, apoiada por nomes como Elon Musk ou Reid Hoffman, co-fundador do Linkedin e trata-se de um simples gerador de texto como tantos outros, mas com uma capacidade nunca antes vista. O GPT2 consegue criar texto com uma elevada verosimilhança e sem cair nos erros dos sistemas apresentados até agora, como esquecer-se do texto a meio ou entrar em loops repetitivos. Em sentido contrário, o sistema consegue dar continuidade a um bloco de texto sem que se detecte imediatamente onde parou o homem e onde começou a máquina, criando os chamados “deep fakes”, desta feita em texto — e por agora apenas em inglês.

Na base de todo este potencial do sistema, os seus criadores dizem estar a forma como ele foi criado. O modelo é 12 vezes maior que o normal e foi treinado em 15x mais dados do que o normal, concentrado mais informação no seu sistema. Para o efeito, os investigadores recorreram a 10 mil artigos noticiosos partilhados no Reddit e com mais de 3 votos positivos, algo que perfez um total de 40 GB de informação em texto — como nota o The Guardian, o equivalente a 35 mil cópias do Moby Dick.

Se por um lado nada disto parece perigoso, os seus criadores acharam por bem não tornar totalmente pública a sua investigação e explicaram os motivos. Por ser treinada em conteúdo da web, temem que este sistema seja pródigo a criar spam e/ou teorias da conspiração com pequenas alterações, e que possa vir a ser uma potente arma na guerra de informação e desinformação que atualmente vivemos, atravessando fronteiras e eleições.

A decisão da equipe de investigação foi, por isso, manter o projeto internamente e continuar a investigar sobre ele tentando perceber como minimizar os usos maliciosos. Como Jack Clark, responsável pelas políticas da empresa disse em entrevista ao The Guardian, “há muito mais gente que nós que são melhores a pensar usos maliciosos”.

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iRobot Roomba i7+: o mais avançado robô doméstico

iRobot Roomba i7+: o mais avançado robô doméstico

Até despeja o lixo no balde.

Quinze de fevereiro. É esta a data prevista para a iRobot pôr à venda em Portugal o mais inteligente dos Room. Na prática, o mais avançado de todos os robôs aspiradores que o dinheiro pode comprar.

E por falar em dinheiro… também há preços. Já lá vamos.

É um bichinho feito pela iRobot, uma marca pioneira no campo dos robôs domésticos, e olhando para ele, assim à primeira vista, é bem parecido com aqueles que a marca norte-americana lançou em 2002. Mas se o aspeto é o mesmo, já a tecnologia não tem muito a ver. E face aos equipamentos que o antecederam, o que a mais recente geração de robôs-aspiradores traz de novo traduz-se em duas tecnologias.

“Conhece a planta da casa. Entende as ordens”

A primeira tecnologia inovadora é a que permite que o i7 seja capaz de mapear e memorizar a planta de toda a casa, para não ter de passar duas vezes pelo mesmo sítio. E isto inclui vários pisos da mesma habitação. Ou então do apartamento ao lado, se quiser dividir despesas com o vizinho.

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EUA e China lideram a corrida à inteligência artificial

EUA e China lideram a corrida à inteligência artificial

Um estudo da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), revelou que a americana IBM detem o maior portfólio de patentes relacionadas com Inteligência Artificial.

De acordo com um estudo recente da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, uma organização integrante do Sistema das Nações Unidas, a corrida pelo domínio da Inteligência Artificial (IA) tem sido atualmente disputada entre os Estados Unidos da América e a China.

Os dados revelaram que a gigante tecnológica IBM lidera este ranking da propriedade intelectual com 8.290 patentes registadas, encontrando-se à frente da Microsoft, que detém 5,930 patentes.

O estudo revela ainda que na China tem 17 das 20 melhores universidades, numa escala global, que conduzem investigações na área da IA.

À Reuters, Francis Gurry, Diretor Geral da OMPI, disse que: «Os EUA e a China lideram, obviamente, esta corrida. Estão à frente tanto no número de aplicações desenvolvidas, como no número de publicações científicas feitas.»

Numa ótica política, as tensões entre os dois países são também sentidas, uma vez que Donald Trump acusou a China de roubar inovações americanas e aumentou as tarifas comerciais em produtos chineses de forma a castigar o governo chinês.

Embora as opiniões, relativamente à China roubar propriedade intelectual, variem, a OMPI reconheceu as acusações, mas salientou que a China tem inegavelmente tido um papel de charneira no desenvolvimento da Inteligência Artificial.

«A China representa uma peça imprescendível no patenteamento de propriedade intelectual», disse Francis Gurry, em declarações à Reuters.

Esta quinta-feira, Gurry apelou via Twitter à união entre países para o desenvolvimento e cooperação na área da IA:

«O patenteamento de atividades no domínio da Inteligência Artificial está a crescer a um rítmo acelerado.Isto significa que o número de produtos, técnicas e aplicações em que este tipo de tecnologia estará presente será maior e, por sua vez, também a sua presença e influência nas nossas vidas.»

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O futuro da Inteligência Artificial precisa de ser moldado e não temido

O futuro da Inteligência Artificial precisa de ser moldado e não temido

Os algoritmos vêm trazer uma mudança na forma como as organizações gerem a informação, mas continuam a precisar dos humanos para validar e corrigir resultados. E para garantir que são úteis no futuro é essencial garantir transparência e ética.

As ideias ficaram bem patentes nas primeiras sessões da conferência Building The Future, organizada pela Microsoft Portugal em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, onde durante dois dias mais de 100 oradores vão abordar as várias questões do negócio, da tecnologia e da transformação digital, tendências e casos práticos em Portugal e no estrangeiro.

E a inteligência artificial tem um papel relevante na transformação digital? Jim Stolze, da Singularity University, usou o exemplo do Netflix para mostrar como a empresa passou de ser uma companhia de conteúdos que enviava DVDs por correio para colocar tudo digital e depois usar os algoritmos para ser mais inteligente na sugestão de filmes e séries que cada um dos seus clientes queria ver. Este foi o segredo e a evolução, de digital para dados e de dados para informação.

“Muitas empresas são ricas em dados mas pobres em informação”, afirmou, dizendo que isso acontece em grande parte das organizações mas desmistificando o facto de precisarmos de mais dados. “O que precisamos é de melhores dados e de insights”, avisa, apontando vários exemplos de como os algoritmos se enganam, são influenciáveis e dão resultados errados.

Mas isso não deve levar as empresas a desistir de usar a Inteligência Artificial. “Culpar os algoritmos é o mesmo que culparmos o espelho por o cabelo estar mal arranjado”, explica. O que é preciso é usar o machine learning para corrigir os algoritmos e isso já está a ser feito em muitas áreas, como o reconhecimento de imagens com os Captcha, onde as máquinas ainda se baralham com fotos de Muffins e Chiuahuas, entre outros.

“Não devemos temer o futuro com a IA mas devemos moldá-lo”, afirmou, e num gesto simpático para Portugal, Jim Stolze, disse que Portugal tem as pessoas e as competências para aproveitar estas oportunidades, podem não ter as ferramentas mas estas estão disponíveis online. E lembra que a Inteligência Artificial nunca estará finalizada e que precisa de humanos para garantir que está tudo correcto.

Numa visão mais de negócio, Matteo Colombo, da KPMG, mostrou alguns números da forma como as organizações estão a olhar para as oportunidades da AI, reconhecidas por grande parte dos CEOs como essencial para o futuro, isto apesar de uma percentagem muito pequena estar já a tirar partido do seupotencial.

A informação gerada pela AI vai atravessar toda a empresa e não pode ser implementada num silo. Tem de juntar toda a organização, o negócio, os dados, as operações. Mas também é preciso confiança, e 80% das empresas ainda não confiam na tecnologia porque não há controle.

É neste aspecto da ética, transparência e controle que Tim O’ Brien, da Microsoft focou a sua apresentação, mostrando como a AI é influenciável e tem preconceitos, ideias feitas e pode tornar as escolhas muito injustas, como acontece na Austria com um algoritmo que mostra as probabilidades de uma pessoa conseguir emprego com base na idade, género, local onde mora, o tempo que esteve desempregado. “É preciso haver regras e regulação”, defende, mas as oportunidades são grandes e não apenas de transformar o negócio, mas mudar o mundo que vai ter menos doença, menos fome, menos crime. “São oportunidades de transformação mas a responsabilidade é grande e é de toda a indústria”, avisa.

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Quando a IA torna os cibercriminosos mais inteligentes

Quando a IA torna os cibercriminosos mais inteligentes

A Inteligência artificial ainda é exceção nas ferramentas do cibercrime, mas não teremos de esperar muito até que os computadores deixem de fazer parte do clube dos melhores amigos da humanidade, admite Stephen Helm, da WatchGuard Technologies

um facto inquestionável que a inteligência artificial (IA) se está a tornar numa parte cada vez mais intrínseca das nossas vidas e, pese embora o facto de tudo o que este conceito promete ter algo de apaixonante, o seu valor não passou despercebido aos criminosos da nossa sociedade.
Um dos maiores benefícios da IA é a sua capacidade de atuar como um amplificador que ajuda as pessoas a trabalhar com uma grande quantidade de dados complexos e realizar tarefas altamente repetitivas que, normalmente, requereriam a intervenção de um humano. A automatização do que normalmente seria um processo manual permite aos delinquentes, especialmente aos cibercriminosos, melhorar a seleção de alvos, ampliar a escala dos ataques e aumentar a velocidade a que podem criar novo malware. Embora até agora se tenham visto poucos exemplos de ataques que recorrem a IA, os investigadores de segurança estão a trabalhar muito para explorar o que é possível ou não fazer.
Seguem-se alguns exemplos sobre como os atacantes podem utilizar a IA:

▪ Eludir os sistemas CAPTCHA. O CAPTCHA tornou-se numa ferramenta essencial na Internet que permite determinar se a pessoa que visita o nosso site é um humano ou um bot. Os visitantes deparam-se com uma imagem, uma casa de verificação ou uma cadeia de texto distorcido e é-lhes pedido que realizem uma ação que normalmente requereria a intervenção de um ser humano, como a identificação de imagens similares entre si. Através do uso de técnicas de IA, investigadores da Universidade de Columbia conseguiram furar o CAPTCHA do Google 98% das vezes [VER AQUI].

▪ Melhorar a precisão e o alcance do phishing. 76% das organizações foram vítimas de ataques de phishing em 2017 e, em resposta, muitas implementaram rigorosos programas para os seus colaboradores na identificação de tentativas de phishing com o objetivo de prevenir estes ataques. Com a IA, os cibercriminosos dispõem de uma ferramenta que se pode utilizar para analisar grandes volumes de dados dos seus alvos e criar mensagens que garantirão uma maior taxa de êxito. As investigações de segurança da ZeroFox demostraram esta abordagem para apanhar utilizadores do Twitter com SNAP_R (Social Network Automated Phishing with Reconnaissance) [VER AQUI]. A SNAP_R utiliza IA para identificar alvos valiosos e desenvolver rapidamente um perfil desse alvo, com base no que publicaram no passado naquela rede social. Recorrendo a este método, convenceram os alvos a clicar em links maliciosos 30% das vezes (comparado com a taxa de êxito entre 5 a 15% de outros esquemas automatizados).
▪ Desenvolver malware altamente evasivo. Os hackers confiaram durante muito tempo em scripts e kits de ferramentas para desenvolver e distribuir malware, mas à medida que a ciberdefesa se tornou mais inteligente e sofisticada, os nossos adversários passaram a recorrer a técnicas de inteligência artificial de baixo perfil para aumentar a evasão do malware. Os criadores de malware começaram a utilizar a IA para realizar verificações, com o objetivo de identificar as configurações de hardware e o ambiente [VER AQUI] em que se encontram (por exemplo, um ambiente Sandbox versus uma máquina física), assim como para determinar se um humano está a operar a máquina nesse momento. DeepLocker, desenvolvido por investigadores da IBM Research [VER AQUI], demonstra os perigos da inteligência artificial utilizada como uma arma no malware. A IA do DeepLocker está treinada para assegurar que a sua carga útil só seja executada quando atinja um alvo específico, baseando-se em três camadas de ocultação, para evitar que as ferramentas de segurança identifiquem uma ameaça.
Em conclusão e definitivamente, à medida que a corrida às armas da cibersegurança aquece motores, é inquestionável que estamos a aproximar-nos de uma nova etapa em que a IA e a machine learning representarão um papel cada vez mais importante tanto no ataque como na defensa.

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CEO portugueses acreditam que inteligência artificial vai criar mais empregos do que destruir

CEO portugueses acreditam que inteligência artificial vai criar mais empregos do que destruir

O estudo “Global CEO Outlook“, elaborado pela consultora KPMG, concluiu que os CEO portugueses (92% dos inquiridos) estão mais otimistas em relação ao crescimento da economia global do que os seus congéneres mundiais (78%).

O estudo que compara as perspetivas e expectativas dos gestores portugueses com os resultados do survey global (e que envolveu cerca de 1.300 gestores de algumas das principais economias mundiais), revelou que a maioria dos líderes globais (55%) espera um crescimento de menos de 2%, uma percentagem que em Portugal ascende aos 64%.

O ânimo dos CEO é atenuado por incertezas face a ameaças como o terrorismo, alterações climáticas e ambientais, riscos da cibersegurança ou o risco da tecnologia emergente/disruptiva.

A maioria indica estar preparada para liderar uma transformação organizacional radical (71% a nível global e 64% em Portugal). No entanto, entre os portugueses, um terço tem dúvidas quanto à capacidade da sua equipa de gestão coordenar a transformação digital exigida.

Para 49% dos inquiridos a nível global, ser vítima de um ciberataque é hoje uma inevitabilidade: uma questão de “se”, e não de “quando”. Os gestores portugueses estão mais optimistas e 28% concorda com esta visão. Os CEO de todo o mundo preocupam-se com a robustez das suas defesas, mas 51% acreditam estar bem preparados para um ciberataque. Em Portugal, apenas 32% dos líderes se consideram preparados para um ataque com estas características.

Para se tornarem mais ágeis e acelerarem no caminho da inovação digital, as organizações estão a construir redes (ou “ecossistemas”) de inovação: 68% dos líderes inquiridos em Portugal pretendem criar programas de aceleração ou incubadoras para startups. Um valor acima da média global, de 53%.

A Inteligência Artificial (IA) é outro dos temas na ordem do dia, quando se fala de inovação. Para a maioria dos CEO, os avanços ao nível da IA terão implicações positivas ao nível do emprego: 62% acreditam que a IA criará mais empregos do que os que destruirá. Em Portugal, esta visão optimista é ainda mais acentuada (84%).

“Numa era em que a disrupção introduzida, por exemplo, pelos avanços na área da robotização e da análise de dados, nos aproxima de capacidades que não antecipávamos há alguns anos, serão cada vez mais as características individuais dos gestores – as suas experiências e a sua visão – a marcar a diferença”, referiu Sikander Sattar, presidente do conselho de administração da KPMG Portugal.

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Automação está chegando e vai eliminar milhões de empregos

Automação está chegando e vai eliminar milhões de empregos

Em breve um robô vai lhe entregar a pizza de domingo. Talvez seu condomínio não exija que você desça até a portaria para apanhá-la, pois não vão suspeitar que possa ser um assalto. Na Alemanha, esse serviço já está funcionando — e a pizzaria é uma rede que atua no Brasil.

Mas isso é pouco: logo essa pizza será resultado de um processo totalmente automatizado. Se você acha que esse cenário pertence à ficção, ou que vai demorar muitos anos até ele se tornar realidade, pesquise sobre a americana Zume Pizza. Situada no Vale do Silício, a casa entrega comida feita por robôs. E o pior é que os consumidores da Califórnia têm adorado a novidade.

Pior por quê? Porque é enorme a quantidade de empregos que será eliminada. Alguns poderão afirmar que esses postos de trabalho demandam baixa qualificação e que o importante é aumentar a produtividade — no caso, a das pizzarias.

O argumento perde metade de sua força quando se sabe que, na mesma Califórnia da pizza robotizada, quem se envolve em problemas de trânsito não depende mais de advogados para apresentar recursos. Um dos maiores fabricantes de computadores criou um robô, baseado em inteligência artificial, capaz de elaborar petições para quem quiser recorrer de uma multa, por exemplo. O interessado não precisa dar um único telefonema, nem para o despachante, nem para o defensor.

Exemplos como esses se reproduzem em todos os setores da economia mundial. Eles ilustram um processo novo e muito importante: as empresas se automatizam cada vez mais, com softwares poderosos e inteligência artificial, de tal modo que se expandem empregando número muito menor de trabalhadores.

É o que os americanos chamam de jobless growth, crescimento sem empregos. Há muitos anos se previa que isso poderia acontecer — e agora a previsão virou realidade. Diante desse cenário, como a humanidade vai reagir?

Rebeliões contra a mecanização ou a automação dos processos produtivos não são inéditas. Quando o arado passou a ser utilizado na agricultura e muitos trabalhadores perderam seus empregos, foi grande a oposição ao novo instrumento. Na Inglaterra do século 19, os ludistas destruíam os teares em sua revolta contra a substituição da mão de obra humana pelas máquinas. Nos Estados Unidos do século 20, Henry Ford foi considerado um grande inimigo dos manobristas de charretes.

A tecnologia, contudo, sempre venceu. Por um lado, pois aumentava a produtividade da economia como um todo; por outro, e não se pode ignorar este fator, porque só afetava empregos de baixa qualificação.

Aí está a diferença desta vez: agora os empregos de alta qualificação também são afetados — e muito. O mesmo robô que faz as vezes de advogado consegue ler mil tomografias por hora; os médicos que avaliaram seus diagnósticos e resultados concluíram que estavam certos em 99% das ocasiões. Ou seja, uma das profissões mais valorizadas e intelectualizadas hoje em dia está sob ameaça. Em suma, a classe média está saindo do paraíso.

Wolfgang Streeck entra fundo nesse tema em seu livro How Will Capitalism End? (Como o capitalismo vai terminar?), editado pela Verso e lançado em 2016. Para o autor, a inteligência artificial e a robotização vão fazer com a classe média o que a mecanização fez com a classe trabalhadora nos séculos 19 e 20. Ele afirma que os únicos beneficiados serão os donos dos robôs.

Assim como foi chamado de mecanização o processo de substituição da mão de obra menos qualificada por máquinas, que se desenrolou no final do século 19 e durante praticamente todo o século 20, Streeck cunhou o termo “eletronização” para denominar essa nova fase, na qual computadores e robôs passam a ser dotados de competência para criar e desenvolver tarefas cognitivas simplificadas, além de tomar algumas decisões. No século 21, a eletronização deve afetar a maior parte das atividades profissionais. A maior parte, mas não todas. Ao que tudo indica, algumas profissões nos extremos estão a salvo.

Estudos mostram que pessoas em funções no topo da pirâmide, que em geral demandam criatividade e capacidade de solucionar problemas, não têm o que temer. As máquinas ainda não conseguem desempenhar tais tarefas com a mesma eficácia. Estão nessa categoria certos ramos da engenharia e das ciências, por exemplo.

Algo semelhante se passa na outra ponta. Trabalhadores manuais sem qualificação nenhuma, como faxineiros ou pedreiros, tampouco serão afetados — não porque a tecnologia não os tenha alcançado, mas por não valer a pena economicamente.

Entre os extremos, as funções mais sujeitas a serem eliminadas são as que exigem repetição. Importa pouco que seja uma atividade fabril ou de serviços, que envolva operários ou profissionais liberais. A questão é: quanto mais rotineira for uma profissão, maior a chance de ela desaparecer — mesmo que demande algum brilho cognitivo.

Um dos livros mais importantes sobre o tema é Rise of the robots: technology and threat of a jobless future (“Ascensão dos robôs: tecnologia e a ameaça de um futuro sem emprego”), de 2015. Seu autor, Martin Ford, também sustenta que há uma grande diferença entre o que aconteceu no passado e o que vai acontecer agora.

Antigamente, diz Ford, quando um setor se modernizava e com isso eliminava empregos, restava ao trabalhador se mudar para outra atividade econômica. Hoje, contudo, esse caminho não é uma opção sempre válida, pois inúmeros setores estão se modernizando ao mesmo tempo. Ou seja, trata-se agora de fugir das atividades rotineiras e repetitivas e procurar abrigo naquelas que exijam habilidades (ainda) não dominadas pelos robôs.

Questões tributárias e regulatórias podem retardar a utilização desses equipamentos no Brasil, mas nem por isso os brasileiros deveriam estar menos preocupados. Na medida em que o avanço tecnológico e os ganhos de escala tornarem a produção de robôs mais barata, multinacionais tenderão a repensar suas estratégias. Se hoje companhias dos países mais desenvolvidos instalam-se em nações menos avançadas a fim de aproveitar a mão de obra barata, talvez em breve elas considerem mais vantajoso manter uma fábrica quase 100% automatizada em território americano ou europeu.

Muita gente acha que as empresas norte-americanas que operavam na Ásia e no México estão voltando aos Estados Unidos por causa dos pedidos de Donald Trump. Ledo engano. A nova tendência corporativa, que já vem sendo adotada por muitas multinacionais, beneficia-se dos avanços tecnológicos, aqui incluído também outro equipamento revolucionário — as chamadas impressoras 3D, ou impressoras aditivas. Com elas, tornou-se possível fabricar peças e componentes nos próprios locais onde eles são necessários.

Ou seja, um dos princípios básicos da globalização — o uso de cadeias de valores espalhadas pelo mundo — pode estar em xeque. Montadores de automóveis, por exemplo, recorrem à dispersão geográfica da produção, fabricando cada parte ou peça dos veículos na região ou país que ofereça as maiores vantagens competitivas. Isso deixará de existir. Graças às impressoras 3D, esses componentes poderão ser feitos onde se situa a matriz da empresa.

Não surpreende, assim, que toda essa parafernália tecnológica venha sendo chamada por muitos de indústria 4.0, ou que a renovação que ela possibilita seja classificada como a quarta Revolução Industrial. Robôs, inteligência artificial e impressoras 3D são apenas uma parte desse fenômeno, que inclui ainda a internet das coisas (IoT), a computação na nuvem, a nanotecnologia etc.

Todos esses avanços destinam-se a aumentar a produtividade das fábricas; nenhum leva em conta a possibilidade de preservar empregos.

Economistas têm procurado calcular o tamanho do impacto da revolução em curso. Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente da Universidade Harvard, chama a atenção para uma grande diferença entre a automatização de agora e aquela promovida nos anos 1960 e 1970 (ele fez uma síntese interessante num painel de 2015, The future of work, “O futuro do trabalho”).

Naquelas décadas, a intensa modernização da maioria dos setores afetou 5% dos empregos. Desta vez, segundo cálculos de Summers, as novas tecnologias sacrificarão algo entre 15% e 20% dos postos de trabalho.

São estimavas modestas se comparadas com as dos economistas Michael Osborne e Carl Frey, ambos da Universidade Oxford, no Reino Unido. Em um célebre estudo de 2013, eles afirmaram que, até 2030, cerca de 45% dos empregos americanos poderão ser eliminados (The future of employment: how susceptible are jobs to computerisation?, “O futuro do emprego: quão suscetíveis à informatização são os empregos?”).

Uma das variáveis dessa equação é o espantoso barateamento dos preços de robôs, softwares de inteligência artificial e outros equipamentos de alta tecnologia. Há dez anos, muitos desses dispositivos eram impensáveis para companhias médias ou mesmo grandes; hoje, até pequenas empresas conseguem comprá-los.

Outra variável é a frustração das expectativas quanto à substituição dos empregos. Imaginava-se que a sociedade pós-industrial geraria ocupações em novos setores, sobretudo ligados à área de serviços, para absorver os trabalhadores deslocados da indústria. Essa perspectiva foi descartada; os equipamentos de ponta são mais utilizados justamente no setor de serviços, onde mais se estão eliminando funções.

Ao mesmo tempo, as ocupações criadas como decorrência dessas tecnologias são em quantidade diminuta. Estudo de 2017 feito no Canadá mostra que, na hipótese mais otimista, os novos empregos não chegam a 4% do total de postos de trabalho existentes naquele país (Future shock? – the impact of automation on Canada’s labour market, choque futuro – o impacto da automação no mercado de trabalho do Canadá, de Matthias Oschinski e Rosalie Wyonch).

Sem contar que é praticamente impossível prever hoje quais empregos vão surgir nos próximos 40 anos. Para exemplificar, Joel Mokyr, um renomado professor de história da economia na Universidade Northwestern (EUA), afirmou em entrevista à revista The Economist que há 40 anos ninguém teria adivinhado que profissões como projetista de videogame ou especialista em cybersegurança seriam importantes.

Mas uma coisa é certa: é muito pequena a probabilidade de que surjam novas atividades e profissões nas quais a presença de seres humanos seja imprescindível. Robôs e equipamentos de automação mostram-se cada vez mais sofisticados, aptos a desempenhar mais e mais funções. Ou seja, não se deve apostar que a criação de postos de trabalho não previstos poderá resolver o problema do desemprego.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), existem 194 milhões de pessoas desempregadas no mundo, quase um Brasil inteiro. O que poderá acontecer com as taxas de desemprego nos próximos anos? Como a tendência implicada pela automação é certa e irreversível, a geração de empregos vai cair. Não se sabe para qual patamar, mas será uma situação dramática — e a sociedade precisa agir.

A situação embute um paradoxo. Por um lado, a solução deveria envolver as grandes empresas, principalmente as que mais estão se beneficiando das novas tecnologias. Assim como questões de ética concorrencial e proteção do meio ambiente, a preservação de postos de trabalho precisa entrar na pauta da responsabilidade social corporativa. Além disso, se, por hipótese, todas as companhias dispensarem seus empregados ou a maior parte deles, não haverá mercado consumidor.

Por outro, essas companhias não podem abrir mão da automação; ganhar produtividade é crucial para quem quer se manter vivo num mercado competitivo. Como consequência, investem em robôs, inteligência artificial, drones etc., contribuindo para o desemprego.

Uma das maiores dificuldades está na própria teoria econômica, que ainda não avançou o suficiente para perceber que nem sempre o mercado resolve tudo: se deixarmos para o mercado, vamos assistir ao crescimento cada vez maior das empresas gigantes, o que significará menos emprego e menos consumidores.

Por que as empresas gigantes? Porque só vence uma competição acirradíssima quem tem capacidade de fazer investimentos em robôs cada vez mais poderosos. Com isso, as já muito grandes se tornam ainda mais produtivas e acabam adquirindo ou eliminando concorrentes menores, num processo de oligopolização em curso nos mais diversos setores, mas sobretudo onde há maior demanda por tecnologia de ponta.

O problema vem sendo pensado e discutido à exaustão em alguns países, com destaque para Alemanha, França e Itália. A recomendação mais importante é a de que haja redução na jornada de trabalho. Na França e na Itália, a jornada semanal já é de 34 horas, contra 40 no Brasil.

Embora a medida tenha sido bem-sucedida no início, ainda nas décadas de 1980 e 1990, após alguns anos se percebe que ela só será efetiva se for adotada por todos países. É que, com as facilidades da globalização —e com as novas possibilidades oferecidas pelas tecnologias de ponta—, as empresas que querem aumentar sua produtividade simplesmente evitam lugares onde a jornada de trabalhado tenha sido reduzida.
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Uma coisa é certa: é muito pequena a probabilidade de que surjam novas atividades e profissões nas quais a presença de seres humanos seja imprescindível.

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De qualquer forma, a própria OIT prioriza essa iniciativa, e a frase “trabalhar menos para que todos trabalhem” virou um lema muito utilizado na Europa.

Outra medida bastante polêmica vem sendo alardeada por sindicatos britânicos: eles defendem uma atuação conjunta de governos, empresários e organizações de trabalhadores para estabelecer um imposto sobre ganhos de produtividade decorrentes do uso de robôs ou outras tecnologias de automação.

A alíquota do tributo seria diferenciada por segmentos da economia. Assim, sobre o setor bancário, incidiria uma taxa maior do que sobre o da construção civil, pois neste último os impactos da automação são menores. Esses impostos, além disso, teriam destinação específica, qual seja, a criação de empregos públicos nas áreas de educação e saúde.

Como sempre, os países mais avançados nessa discussão são os escandinavos. Por lá, predomina a ideia de introduzir um programa de renda mínima nacional. Todo cidadão receberia um valor mensal que lhe garantiria a subsistência, independentemente de ele estar ou não trabalhando. O pressuposto por trás desse tipo de ação é que o desemprego vai crescer de forma assustadora nos próximos anos e toda a sociedade precisa estar protegida.

Nesse debate, há ainda a considerar as questões filosóficas suscitadas pelas novas tecnologias. Computadores e robôs sabem ler textos e fazer cálculos há bastante tempo, mas só recentemente passaram a enxergar, ouvir e falar. Devido ao avanço da inteligência artificial, também passaram a ter… inteligência. A humanidade deveria se preocupar com esse fato, na linha do que sugerem filmes como O Exterminador do Futuro e Matrix?

Existem diversos grupos de cientistas, futurólogos e filósofos que especulam cenários apocalípticos. Vernor Vinge é um deles. Respeitado professor de matemática e computação da Universidade de San Diego na Califórnia, escreveu livros de ficção sobre a era em que os computadores e robôs serão equivalentes aos seres humanos —como The Children of The Sky (“As crianças do céu”) e Rainbows End (“O fim do arco-íris”). Para ele, isso deve começar a acontecer em menos de 15 anos e será a maior mudança no planeta após o surgimento da vida humana.

O recém-falecido cientista Stephen Hawking era um dos estudiosos da inteligência artificial que mais se preocupavam com as consequências negativas dessa tecnologia. Ele chegou a antever o fim da raça humana como decorrência do poder incontrolável que as máquinas passarão a deter.

A mesma posição vem sendo manifestada pelo visionário Elon Musk, fundador da Tesla (uma das maiores fabricantes de carros elétricos do mundo) e da SpaceX, empresa que pretende pôr um homem em Marte nos próximos dez anos. Musk defende a criação de uma espécie de órgão regulador com a função de prevenir situações futuras em que equipamentos dotados de inteligência artificial poderiam ameaçar a sobrevivência de humanos.

Quanto a isso, assim como em relação à ameaça do crescimento sem empregos, a situação também termina em paradoxo. Uma empresa ou um país que resolver frear o desenvolvimento tecnológico para evitar uma catástrofe —tanto quanto para evitar a extinção de postos de trabalho— acabará perdendo competitividade nacional e internacional.

Como consequência, essa empresa ou esse país se verá às voltas com o desemprego (fruto da diminuição da fatia de mercado decorrente da menor competitividade) e não terá interrompido a escalada tecnológica de outras empresas ou outros países.

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Inteligência Artificial já resolve problemas da Administração Pública

Inteligência Artificial já resolve problemas da Administração Pública

Os primeiros projetos de aplicação de inteligência artificial na administração pública já estão no terreno mas vão ser abertos mais dois concursos nesta área.

No início do ano o Governo anunciou a disponibilização de 10 milhões de euros para financiar projetos que pudessem resolver alguns dos principais problemas da Administração Pública através da utilização da Inteligência Artificial, e hoje a ministra da presidência anunciou o lançamento de dois novos concursos, um para iniciativas mais maduras e outro para projetos mais experimentais.

“Já temos 19 projetos de IA financiados no terreno e vamos abrir dois novos concursos”, afirmou a ministra da presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques durante a sua intervenção na conferência InCoDe2030 que decorre hoje em Lisboa.

A Saúde foi a “área mais beneficiada” nesta primeira ronda de projetos de Inteligência Artificial, o que para a ministra significa que vamos ter melhores serviços, maior antecipação na prevenção da doença, mas também as áreas de mobilidade, emprego e transporte estiveram em foco nestas iniciativas.

“Nunca assisti a uma parceria que tivesse corrido tão bem. A comunidade científica mobilizou-se para o que foi detetado como falha na Administração Pública em termos de necessidades, problemas”, adiantou Maria Manuel Leitão Marques, explicando que da parte da máquina da administração pública também há um esforço para absorver conhecimento e tornar claras as principais dificuldades.

A ministra apela agora a toda a comunidade para que se mobilize a participar nos novos concursos.

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O que vamos fazer com os robots? Depende daquilo que queremos

O que vamos fazer com os robots? Depende daquilo que queremos

Os robots vão substituir-nos em muitos papéis, mas temos mesmo de pensar se queremos transformá-los em “companheiros”. É que o bom da vida devemos guardar para nós (humanos). O conselho é de uma especialista em ética na área da inteligência artificial.

Foram várias as razões que estiveram na base do movimento robótico: “tornar os sistemas mais eficientes, fazer tarefas mais rápido, trabalhar de uma forma mais organizada”, mas estamos num momento em que devemos realmente pensar naquilo que queremos fazer com os robots que estamos a desenvolver.

“Queremos que as nossas crianças tenham amigos robots ou amigos humanos? A possibilidade de fazer a transição para a amizade existe, mas devemos fazê-lo? E como devemos fazê-lo?”, perguntou Aimee van Wynsberghe.

A cofundadora e presidente da Foundation for Responsible Robotics defende que podemos usar a tecnologia para acedermos ao mundo, mas não para substituirmos o contacto humano. “Criámos robots para termos mais tempo livre para fazermos as coisas que realmente importam, que têm significado para nós. Para estarmos com os nossos filhos, com os nossos pais, com as pessoas que são importantes”. Se dermos esse papel aos robots, “destas coisas que fazem parte da ‘vida boa’, que são éticas, que são as coisas com que nos preocupamos”, diz Aimee van Wynsberghe, “o que é suposto os humanos fazerem?”.

A sexualidade é outra dimensão importante e, para a professora de Ética e Robótica na Universidade Técnica de Delft, Holanda, estamos no momento perfeito para investigar outros aspectos e interesses na conceção de robots sexuais, hoje muito dominados “pela exploração pornográfica do corpo feminino”. Mas também aqui voltou a levantar algumas questões sobre a possibilidade do isolamento social aumentar e sobre a componente relacional em si. “O que é um relacionamento entre um humano e um robot? Com certeza não é uma interação recíproca, de empatia, apaixonada… Não estaremos a introduzir muita confusão para algumas pessoas?”.

Aimee van Wynsberghe garantiu que não é contra a possibilidade. “Não estou a dizer que devemos banir a tecnologia, estou a dizer que devemos investigar para descobrirmos a melhor forma de desenvolver a tecnologia, de a tornarmos disponível noutras formas e para aqueles que realmente beneficiam dela”.

Esta é altura “para inovar de uma maneira responsável” e isso passa por introduzir a ética na robótica. Nesse sentido a Foundation for Responsible Robotics está a desenvolver um “selo de qualidade” para aplicar a produtos robóticos. O objetivo é atestar que o produto está de acordo com as regras estabelecidas relativamente ao processo de fabrico, materiais usados, reciclagem ou mesmo ao GRPD.

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